Elis Regina
Elis Regina: É com esse que eu vou de Pedro Caetano no especial para a TV Cultura dirigido por Fernando Faro, S. Paulo, 1973.
Elis Regina: É com esse que eu vou de Pedro Caetano no especial para a TV Cultura dirigido por Fernando Faro, S. Paulo, 1973.
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| roteiro 2007.1 [pdf] |
| artigos |
| A
idéia de cultura brasileira |
| programas
rádio |
| Tropicália,
bananas ao vento [parte I . mp3 . 17, 1 MB . 59 min.] |
| publicações eletrônicas |
| A semana de arte moderna de 22 |
| Marcel Duchamp |
| Tropicália, bananas ao vento |
| mostra de filmes brasileiros [2006] |
| Oswald de Andrade [1890-1954] |
| Escapulário |
| No
Pão de Açúcar De Cada Dia Dai-nos Senhor A Poesia De Cada Dia |
| Wally Salomão [1943-2003] |
| Novelha cozinha poética |
| Pegue
uma fatia
de Theodor Adorno Adicione uma posta de Paul Celan Limpe antes os laivos de forno crematório Até torná-la magra-enigmática Cozinhe em banho-maria Fogo bem baixo E depois leve ao Departamento de Letras Para o douto Professor dourar. |
| Paulo Leminski [1944-1989] |
| o bicho alfabeto tem vinte e três patas ou quase por onde ele passa nascem palavras e frases com frases se fazem asas palavras o vento leve o bicho alfabeto passa fica o que não se escreve |
| Torquato Neto [1944-1972] |
| Marginália II - Torquato & Gil |
| Eu, brasileiro, confesso Minha culpa, meu pecado Meu sonho desesperado Meu bem guardado segredo Minha aflição Eu, brasileiro, confesso Minha culpa, meu degredo Pão seco de cada dia Tropical melancolia Negra solidão Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui, o Terceiro Mundo Pede a bênção e vai dormir Entre cascatas, palmeiras Araçás e bananeiras Ao canto da juriti Aqui, meu pânico e glória Aqui, meu laço e cadeia Conheço bem minha história Começa na lua cheia E termina antes do fim Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Minha terra tem palmeiras Onde sopra o vento forte Da fome, do medo e muito Principalmente da morte Olelê, lalá A bomba explode lá fora E agora, o que vou temer? Oh, yes, nós temos banana Até pra dar e vender Olelê, lalá Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo |
| José Carlos Capinam [1941] |
| Poema intencional |
| Há
em cada substância a sua negativa e a possibilidade de processo. Processo inexorável a ir ao fim meta a ser de pão e flores: A rosa será uma outra rosa e nós já não seremos vejo nos olhos tristes um filho possível vejo na árvore antiga do parque, uma cadeira, uma muleta, mas sobretudo um aríete descubro na boca angustiada o hino pronto e pesado: é inevitável o acontecimento mas procuro ser um elemento, Carrego em mim a utilidade sei que posso dar existência e na minha total renúncia utilizo-me para um bem maior: tenho que colher a rosa e transformá-la tenho que possuir Maria e dar-lhe um filho tenho que transformar a árvore do parque em cadeira, em muleta mas, sobretudo em aríete. |
| Mario de Andrade [1893-1945] |
| Eu sou trezentos |
| Eu sou trezentos, sou
trezentos-e-cincoenta, As sensações renascem de si mesmas sem repouso. Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras! Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro! Abraço no meu leito as milhores palavras, E os suspiros que dou são violinos alheios; Eu piso a terra com quem descobre a furto Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos! E sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, Mas um dia afinal eu toparei comigo... Tenhamos paciência, andorinhas curtas, Só o esquecimento é que condensa, E então minha alma servirá de abrigo. |
| José Paulo Paes [1926-1998] |
| O segundo império |
| Sejamos
filosóficos, frugais, Eruditos, ordeiros, recatados Um casebre, se digno, vale mais Que palácio de alfaias atestado. Sejamos sobretudo liberais E, ao figurino inglês afeiçoados, Tolerantes, medíocres, legais, Por jeito d'alma e por razões de Estado. Sejamos, na cozinha, escravocratas, Mas abolicionistas de salão: A dubiedade é-nos virtude grata. Com ela se garante bom quinhão Dessa imortalidade compulsória Que é justiça de Deus na voz da História. |
| Manuel Bandeira [1886-1968] |
| Poética |
| Estou
farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto xpediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cosenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc. Quem antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. |